por Christine Rocha
Agora que um lindo pedaço do seu coração passa a bater do
lado de fora do corpo, agora que alguns meses se passaram e necessário se faz
retomar, recomeçar a partir da modificação da rotina, da reconstrução do que
era, da construção do novo... Passamos a entender, reconhecer e sentir as
situações de diferentes maneiras, com novos olhares que passam a construir o
novo que somos.
As mamães presenteadas com a chegada do novo ser, entendem
com maior clareza estes novos olhares a que nos referimos. Novas prioridades
surgidas de novas relações.
Contudo, necessário se faz retomar, recomeçar aquilo que já
se fazia, atribuir novos moldes para o retorno e seguir na caminhada pela
construção de novos paradigmas.
Pensando nas mães e seu retorno às antigas/novas rotinas,
torna-se este um complexo momento de ressignificação, de avaliação de tempo, de
importância, de sentimento e paciência.
“Saber a calma para ir
Perder a pressa para estar
Perder
o verbo para si
Saber o sonho para lá.”
Alguns
importantes pontos a serem observados neste momento foram poeticamente trazidos
por esta música do Lenine, titulada de Naturalmente. E
naturalmente a retomada acontece, com maior ou menor dificuldade. E um dos
principais pontos é mencionado logo de início, neste momento é preciso ter calma,
“saber a calma para ir” ao encontro da nova rotina de atividades pesarosamente
dividida com o cuidado materno.
Não se desespere por ter que retornar ao trabalho, por ter
que se afastar do seu bebê por algumas horas. Lembre-se de escolher calma e
cuidadosamente o local e a pessoa que será responsável pelos cuidados desta
preciosidade até que você possa assumir novamente dia a dia.
E reorganizar-se para as novas tarefas é preciso. Por mais
que esta necessidade não amenize o pesar ou a vontade de estar mais voltada
para os cuidados maternos, ela pode ser imensamente compensada pela oferta do
tempo de qualidade.
O momento do cuidado, que agora se reduz a intervalos ou
horários previamente estabelecidos, pode ser aproveitado ao máximo se
conseguirmos abandonar um pouco da culpa da privação de tempo na perspectiva do
perder a pressa para estar... E estar ali inteiramente aprendendo a ver as
necessidades que cada momento traz.
Não se culpe por ter deixado seu bebê aos cuidados de outra
pessoa para ter que cumprir uma jornada de trabalho. Não se desculpe por ter
que trabalhar. Se neste momento você entende que, por mais que se queira, o seu
querer não é poder... No momento da presença foque no positivo! Ame, brinque,
eduque, ofereça o que só a mãe pode oferecer naquele momento. Este é o seu
tempo. Aproveite-o e sem pressa esteja ali, no melhor lugar onde se poderia
estar.
Aos poucos, no ingresso na nova rotina, percebe-se que os
olhares se modificaram, assim como mudam as prioridades e passa-se a ver com os
sentidos muito do que antes poderia passar apenas pela visão.
O trabalho, a nova rotina que se modifica, as novas
importâncias que se dá aos pequenos detalhes, os Pequeninos que são detalhes
cuja importância nem se pode ser medida em nossas vidas, o sonho que se
realizou, a perfeição que se quer atingir...
Muda-se o foco e diante deste, muda-se
a vida... Porque no recomeço, na volta para o trabalho, para a rotina, ou para
a casa “tem saudade e saudação, tem uma parte que não tinha...”
A todos nós, ótimos recomeços!! Todos os dias!!
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