por Christine Rocha
Falemos do fundamental, do que importa! E im-portar poderia ser olhado como o portar dentro,
carregar em si.
Quando alguém leva o outro em si, importa.
Olhemos as pessoas próximas, aquelas que mexem com nossos
sentimentos e emoções. Costumamos dizer o quanto são importantes, o quanto são
estimadas e o tamanho do “querer bem”. O que acontece com estas pessoas,
importa. Trazemos para dentro, emocionalmente, os sentimentos bons e aqueles
nem tanto, como se em alguns momentos pudéssemos sentir junto a dor e a alegria
do outro.
Assim acontece com os amigos de verdade, com os familiares
mais próximos, com as pessoas de nossa convivência, com aqueles que amamos...
Se o outro foi magoado ou está triste, importa – queremos acolher a pessoa e minimizar
o sofrimento que nos faz sofrer também. Se houveram êxitos e o outro está feliz,
importa – comemoramos juntos e celebramos o toque de vida presente em cada
vitória. E esse importar que aqui nos referimos, é um “trazer em si’ simbólico.
Acolhemos o outro dentro de nós em razão das relações, dos vínculos de amizade,
da convivência, do afeto.
Imaginem a dimensão da importância daqueles seres que
literalmente são trazidos dentro, carregados durante nove meses no útero. O
quanto são importantes... Se o trazer em si simbólico já confere tamanho
vínculo, o carregar no ventre, nutrir, gestar, conferem importância indubitavelmente
maior a esta relação.
E a maneira
de olhar para o outro é também olhar para si, voltar o olhar para entender
sobre o que está dentro, e a partir desta visão nos enxergar em nós e nas
relações. É importante pra nós sermos importantes para alguém. Faz parte da
busca pela felicidade, já que a nossa felicidade também se baseia na relação
que possuímos com as pessoas que nos cercam. Contudo é importante lembrar que o
outro não nos preenche, este preenchimento é interno.
Busquemos suprir em nós o que nos falta, e assim, as
relações com as pessoas acrescerão em nós aquilo que podemos receber. Em outras
palavras poder-se-ia dizer receba de si o que precisa e do outro o que acresce.
Deste modo, estaríamos em equilíbrio interna e externamente, sem projetar o
outro a necessidade de prover aquilo que nos falta. E buscaríamos a felicidade
presente descontinuamente no ser em si e nas relações “importantes” para nós, sem
peso, sem dependência e confortavelmente feliz, afinal, “fundamental é mesmo o
amor é impossível ser feliz sozinho”.

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