terça-feira, 19 de março de 2013

“Vou te contar...”


por Christine Rocha

Falemos do fundamental, do que importa! E im-portar poderia ser olhado como o portar dentro, carregar em si.

Quando alguém leva o outro em si, importa.

Olhemos as pessoas próximas, aquelas que mexem com nossos sentimentos e emoções. Costumamos dizer o quanto são importantes, o quanto são estimadas e o tamanho do “querer bem”. O que acontece com estas pessoas, importa. Trazemos para dentro, emocionalmente, os sentimentos bons e aqueles nem tanto, como se em alguns momentos pudéssemos sentir junto a dor e a alegria do outro.

Assim acontece com os amigos de verdade, com os familiares mais próximos, com as pessoas de nossa convivência, com aqueles que amamos... Se o outro foi magoado ou está triste, importa – queremos acolher a pessoa e minimizar o sofrimento que nos faz sofrer também. Se houveram êxitos e o outro está feliz, importa – comemoramos juntos e celebramos o toque de vida presente em cada vitória. E esse importar que aqui nos referimos, é um “trazer em si’ simbólico. Acolhemos o outro dentro de nós em razão das relações, dos vínculos de amizade, da convivência, do afeto.

Imaginem a dimensão da importância daqueles seres que literalmente são trazidos dentro, carregados durante nove meses no útero. O quanto são importantes... Se o trazer em si simbólico já confere tamanho vínculo, o carregar no ventre, nutrir, gestar, conferem importância indubitavelmente maior a esta relação.


E a maneira de olhar para o outro é também olhar para si, voltar o olhar para entender sobre o que está dentro, e a partir desta visão nos enxergar em nós e nas relações. É importante pra nós sermos importantes para alguém. Faz parte da busca pela felicidade, já que a nossa felicidade também se baseia na relação que possuímos com as pessoas que nos cercam. Contudo é importante lembrar que o outro não nos preenche, este preenchimento é interno.

Busquemos suprir em nós o que nos falta, e assim, as relações com as pessoas acrescerão em nós aquilo que podemos receber. Em outras palavras poder-se-ia dizer receba de si o que precisa e do outro o que acresce. Deste modo, estaríamos em equilíbrio interna e externamente, sem projetar o outro a necessidade de prover aquilo que nos falta. E buscaríamos a felicidade presente descontinuamente no ser em si e nas relações “importantes” para nós, sem peso, sem dependência e confortavelmente feliz, afinal, “fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho”.



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