terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Parto: da barriga para os braços


Últimos dias antes da hora esperada, antes do rosto esperado, de sentir o cheirinho, de poder tocar a pele, mas o que fazer a partir deste momento em que não haverá mais uma barriga para acariciar. E qual será a sensação da passagem da barriga para os braços?

Algumas mulheres sentem-se confusas neste período e enfrentam certa dificuldade de adaptação... Saudades de sentir o bebê mexendo, saudades daquela barriga sempre referenciada nas fotos, confusão sobre a amamentação, o choro, o trocar de fraldas, o banho.

Antes os cuidados eram de mais fácil execução e o simples fato de “cuidar-se” já trazia seus reflexos para a saúde e bem estar de ambos. Agora a relação antes simbiótica existente no conjunto “gravidez” passa a representar a relação de dualidade “mãe-bebê”. E estes precisam adaptar-se às mudanças decorrentes do parto: o surgimento do outro. Este outro que possui vontades, que chora, que se alimenta, e que precisa de múltiplos cuidados e carinhos para o crescimento saudável físico e mental.

Complexo? Talvez! Contudo, se pensarmos que a mãe também nasce com o nascimento do filho, quem sabe as cobranças internas sejam amenizadas. E o segundo filho faz nascer uma segunda mãe, que será diferente da primeira e sucessivamente assim. Os cuidados serão diferentes, as relações diferentes, são pessoas diferentes, a cada momento.

Então, mães, não se cobrem sobrecarregadamente em saber o que fazer quando da passagem da barriga para os braços. Aquele pequenino ser que nasceu te ensinará a ser mãe, assim como aprenderá a ser filho com sua maneira de ser. Aprendam juntos na relação mãe-bebê de forma leve, pois não há receita. Haverão tentativas, erros e acertos, inúmeros momentos de incerteza mas, certamente, muita felicidade a cada descoberta que vocês farão juntos. Afinal, a relação se constrói a partir da própria relação.

07.04.08




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Christine Rocha é psicóloga graduada pela PUC Goiás, dedica seu tempo a estudos sobre as relações e o comportamento humano e a trabalhos na área clínica e social.


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